São Paulo, 04 de Novembro de 2026
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GERAL

Policial penal que atirou em entregador é preso e afastado no Rio

O policial penal José Rodrigo da Silva Ferrarini, preso por ter atirado no pé do entregador Valério de Souza Junior, foi afastado das funções por 90 dias, conforme informou a Secretaria estadual de Administração Penitenciária (Seap)

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Agência Brasil

O policial penal José Rodrigo da Silva Ferrarini, preso por ter atirado no pé do entregador Valério de Souza Junior, foi afastado das funções por 90 dias, conforme informou a Secretaria estadual de Administração Penitenciária (Seap). José Rodrigo está detido desde domingo (31), quando se entregou à polícia.

Na madrugada de sábado (30), contrariado por Valério não levar o pedido de comida até o andar onde morava, em um prédio em Jacarepaguá, na zona oeste do Rio de Janeiro, José Rodrigo disparou contra o pé do entregador. Os entregadores não são obrigados a subir com os pedidos.

Arma recolhida

Os investigadores coletaram depoimentos, recolheram a arma do agente penal e, a partir de análise das evidências, pediram à Justiça a prisão preventiva de José Rodrigo.

“Ao ver o cerco se fechar e após negociação com os agentes, o autor se apresentou na Cidade da Polícia [complexo que reúne delegacias especializadas], onde o mandado foi cumprido”, diz nota da Polícia Civil.

Na prisão preventiva, o suspeito é detido mesmo sem condenação definitiva, com o objetivo de garantir o processo criminal, sem prazo determinado para a soltura.

Nas redes sociais, Valério manifestou agradecimento por correntes de solidariedade e pediu que pessoas parassem de hostilizar moradores do endereço, informando que o agressor morava de aluguel e deixou a moradia.

“O autor do disparo não é proprietário do apartamento que ocupava e a proprietária, mediante o ocorrido e também por conta da depredação de seu imóvel, solicitou a entrega do mesmo, que estava sob aluguel. O autor do disparo não reside mais no local”, escreveu.

Repúdio

A Secretaria estadual de Administração Penitenciária informou que o agente penal teve a prisão mantida após audiência de custódia. Ele foi levado para o presídio Constantino Cokotós, em Niterói, no Grande Rio, unidade destinada a policiais presos.

Em nota, a secretaria informa que “repudia com veemência a conduta abominante atribuída ao servidor”. Além do afastamento, foi aberto um processo administrativo disciplinar contra ele.

A secretária Maria Rosa Nebel manifestou solidariedade ao entregador.

iFood

O iFood, plataforma por meio da qual Valério fazia a entrega, afirmou que não tolera qualquer tipo de violência contra entregadores parceiros e lamenta muito o acontecido.

Sobre o cliente, a empresa explicou que, quando as regras são descumpridas, são aplicadas sanções que podem ir desde advertência até o banimento da plataforma.

O iFood deixa claro que a obrigação do entregador é deixar o pedido no primeiro ponto de contato, seja o portão da casa ou a portaria do prédio. “Essa é a recomendação passada aos entregadores e aos consumidores”, assinala.

Ainda segundo a plataforma, no ano passado, foi lançado no Rio uma campanha para incentivar os clientes a irem até a portaria de seus condomínios para receber os pedidos, como forma de respeito aos entregadores.

“Clientes nos confundem com garçons”, reclama entregador de aplicativo.          

O iFood informou que vai disponibilizar a Valério apoio jurídico e psicológico, oferecido em parceria com a organização de advogadas negras Black Sisters in Law, garantindo acesso à justiça e assistência emocional. “Esperamos que o caso não fique impune e que Valério Junior se recupere rapidamente”, finaliza a nota.

Outros casos

Em março de 2024, um caso parecido aconteceu no Rio de Janeiro. O entregador Nilton Ramon de Oliveira, então com 24 anos, foi baleado por um cliente policial militar (PM), na Vila Valqueire, também zona oeste.

Em 2023, um desentendimento terminou com o entregador Max Ângelo dos Santos atacado por uma mulher com uma coleira de cachorro, em São Conrado, bairro nobre da zona sul carioca. 

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